quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Faz tempo que escrevi este texto, mas, na época, tive um cuidado: sabia que estava escrevendo (também) para pais e professores, por isso, a cada argumento lançado, procurei refutar (porque, com certeza, alguns leitores não concordariam comigo) o argumento do leitor, isto é, eu tinha que dizer o que queria, tentar convencer as pessoas, mas sabia que o que dizia não era vedade absoluta. Então tentei usar a estratégia do argumento e contra-argumento. Essa é uma boa estratégia para quem ainda não passou pela redação do vestibular. Hoje, obviamente, mudaria algumas coisas, mas como sempre digo: escrever é um processo e só escrevendo é que se chega ao sucesso. Ainda é importante dizer que uma boa leitura ajuda muito. Espero que gostem do meu texto. Abraços. Lisa

É PRECISO RESGATAR VALORES
Elisane Scapin Cargnin

Na história da educação, muitas transformações ocorreram, principalmente no que se refere aos valores universais, pois desde cedo é preciso que as crianças saibam respeitar-se umas às outras, com suas diferenças raciais, religiosas e culturais. Educar para o respeito é cortar o mal pela raiz. É também compreender a formação das injustiças sociais, pelas quais temos todos uma parcela de responsabilidade. Existem valores universais que não podem ser esquecidos quando pensamos em planejar nosso futuro e encantar-se novamente com a educação.Temos que rever a escola como meio de uma nova vivência de todo espaço educativo, principalmente, as relações entre educadores e alunos, das influências do meio escolar na comunidade local, das responsabilidades individuais e coletivas e no amor ao conhecimento. Tudo isso de um ponto de vista compreendido como um processo integral de transformação de valores éticos e atitudes.
 Ser professor requer trabalhar com suas motivações interiores, sonhos, potenciais e anseios, para fazer com que se tenha a consciência de que a escola é sua, de que cada um deve fazer sua parte. A educadora americana Jacqueline Jordan Irvine, diz que os professores podem fazer a diferença na vida da criança. Ela enfatiza que faz parte da natureza humana comportar-se geralmente da forma que se é tratado.  Isso comprova que tratar alunos como incapazes de aprender afirma-se a sua incapacidade, e vê-las como capazes de aprender resulta em sua capacidade. Os educadores têm um papel extremamente importante a desempenhar.  São eles os responsáveis pela boa educação das crianças, já que esse foi esquecido pela maioria dos pais.
Faço essa introdução para mencionar um acontecimento triste que ocorreu em uma dessas aulas que tive a felicidade de ministrar. Um aluno trouxe-me a informação de que teria usado os meus “cacoetes” em casa e que seus pais não entenderam o seu comportamento. Quando se referiu a cacoetes, estaria referindo-se às “palavrinhas mágicas” que costumo ter como hábito na sala de aula para o bom andamento do trabalho (muito obrigado, com licença, por favor...). Nesse momento, comecei a entender o porquê de tanta indisciplina na sala de aula e também o quanto é importante o meu papel enquanto professora, já que, em muitos casos, devido ao excesso de atividades, os pais precisam ser rápidos e eficientes, não existe, muitas vezes, tempo para sentar-se à mesa para fazer uma refeição com seus filhos e esse tempo é ainda menor quando precisam observá-los. O progresso não para de “atacar”, o ser humano precisa acompanhar para, no mínimo, ter uma vida digna. Isso acaba deixando a criança livre para decidir a sua própria vida. Sei que a falta de tempo não justifica o não cumprimento dos seus papéis enquanto pais, mas, infelizmente, é o que está acontecendo. 
A educadora carioca, Tânia Zaguri, autora do livro “Os direitos dos pais”, afirma que chegamos a uma situação-limite. Está na hora de os pais recuperarem sua auto-estima e sua autoridade, resgatando “boas maneiras” que andam esquecidas na educação dos filhos. Em nome do futuro do seu próprio jovem e da sociedade. “Com a revolução comportamental dos anos 60, a difusão dos métodos pedagógicos modernos e a popularização da psicologia, a liberdade passou a dar o tom nas relações entre pais e filhos (...) Em muitos lares, os pais é que se sentem desorientados e os filhos, na ausência de quem estabeleça limites à sua conduta, assumiram o papel de tiranos”. Assim sendo, é preciso que pais e professores assumam seus papéis diante da educação dessas crianças. Elas não podem ser deixadas de lado por simples justificativas que possamos estar arranjando para fugirmos de nossas responsabilidades. Trata-se de um jargão, mas as crianças são o futuro de nosso país.
(Zero Hora, 22 de julho de 2006)

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